quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Woody Allen avalia sua obra em livro


Do UOL Cinema

Rotular Woody Allen como o "único autor remanescente no cinema americano" seria uma saída fácil demais para explicar o porque ele é singular. O jornalista Eric Lax, biógrafo do cineasta, escreveu um livro só para isso. "Conversas com Woody Allen" (Cosac & Naify) reúne entrevistas feitas por Lax com o diretor ao longo de 36 anos. O escritor as desmembrou para depois reorganizá-las cronologicamente dentro de capítulos temáticos que percorrem todo o processo criativo do biografado.


A IDÉIA

Você anota as idéias quando elas vêm?

Anoto, sim, uma porção de piadas quando elas me ocorrem. Sempre fiz isso porque sempre esqueço se não anoto. Ainda tenho uma gaveta cheia de piadas e palpites. Muitos ainda estão em pedaços de papel. (1987)

Anos atrás você me mostrou uma sacola de papel cheia de idéias e roteiros pela metade na gaveta da sua escrivaninha. Ainda tem isso?

Tenho. Tirei o meu pacote de idéias de dentro da sacola onde estava. É uma pilha de papéis soltos, mas prendi com um clipe. Voltei a ela continuamente, quando me vi pressionado por uma idéia para este filme ("Match Point"). Na verdade, este filme é um amálgama de duas idéias que saíram da minha sacola. (2005)

O Dick Cavett me contou, faz pelo menos trinta anos, da noite em que vocês dois estavam no Trader Vic, em Los Angeles, nos anos 60, e você falou para ele no jantar: "Não tenho tempo, por mais longa que seja a minha vida, de escrever todas as idéias que tenho". Você ainda tem um estoque ilimitado?

Eu tenho uma porção de idéias. Ainda tenho a mesma sacola - na verdade, tirei as idéias da sacola porque ela rasgou (ri), mas tenho uma igual. Na sala de montagem, ainda levo uma sacola e jogo as idéias lá dentro, e quando chega a hora de fazer alguma coisa, viro a sacola em cima da cama e cai um bilhão de papéis de todos os tipos, e eu vejo o que tem ali. É muito chato, e separo os mais promissores. Às vezes, eu vejo um e penso: Ah, este daria uma boa idéia, e faço.

Você seleciona as idéias de vez em quando? Joga alguma coisa fora com o passar dos anos? Ou, se entraram na sacola, é porque valem a pena?

Só jogo as idéias fora depois de realizadas. (2006)


ESCREVER

Tem uma idéia clara do personagem para o qual você escreve?

Não existe nenhuma moldagem consciente do meu personagem. Eu nunca penso: Bom, ele não faria isto. Em boates e filmes, faço o que acho engraçado, e é cem por cento instintivo. Eu simplesmente sei que não daria um tiro num sujeito e colocaria dentro de um freezer. Eu só faço o que faço, e ao que parece o personagem vem à tona. O que fica além disso não significa nada para mim. Só quero ser engraçado. E se além de ser engraçado der para externar uma opinião, ótimo. Não faço nenhum juízo interior do personagem que vai saindo. Só posso descrever esse personagem em termos do que conheço: contemporâneo, neurótico, mais orientado para a vida intelectual, perdedor, homenzinho, não lida bem com máquinas, deslocado no mundo - essa merda toda. Consigo enxergar uma certa parte, mas no começo nunca pensei: Vou fazer de mim mesmo um perdedor e um homenzinho. Não acho que se possa tentar fazer qualquer coisa. Faz-se, e pronto. Tenho certeza que não há nada calculado no Chaplin, mesmo que as pessoas digam: "Pois é, o bigode representa a vaidade, os sapatos grandes demais, isto; o jeito de andar, aquilo". Tenho certeza que o que ele tinha na cabeça era: Ei, isto aqui vai ser engraçado: vou pôr essa calça larga, esses sapatos grandes, um bigode e vou ficar com cara de tonto. É tão acidental, tão contingente. Ao fazer um filme muita coisa que se planejava não funciona como se pensava que ia funcionar, e na sala de montagem se fazem novas descobertas o tempo todo. Acho que, se não abre espaço para isso, você se transforma num daqueles diretores de cinema literais, que pegam um roteiro e filmam exatamente o roteiro. Não estou dizendo que eu só improviso. Mas a experiência de fazer um filme acontecer quando você faz o filme não é igual à de escrever o filme, enquanto uma peça de teatro é noventa e cinco por cento o texto. (1972)

Os personagens mudam muito depois que você escreve o roteiro?

Escrevo o filme enquanto estou fazendo o filme. Muitas vezes estou lá, sentado com a Juliet Taylor (a diretora de elenco), e ela me fala alguma coisa sobre um personagem que escrevi - digamos, o Peter de Hannah. Depois de muito conversar sobre quem chamar, ela disse: "Que tal o Max von Sydow?". E de repente (estala os dedos) a idéia faz uma luz se acender, e é uma grande idéia. E o papel então (de um pintor dedicado à arte) foi moldado para ele. Ele ficou bem mais velho e muito raivoso. A mesma coisa acontece quando encontramos uma locação maravilhosa. De repente, a cena muda porque o visual é bom. O filme nunca é escrito antes. É uma idéia geral, mas clara o suficiente para fazer o orçamento. (1988)



ELENCO, ATORES, ATUAÇÃO

Existe uma velha máxima de que o diretor precisa se apaixonar pela atriz através da câmera para que o público também se apaixone. Você concorda?

Eu me empenho muito em determinados filmes para ter certeza que estou apresentando a atriz para o público do jeito que imaginei. Me dediquei muito à Christina Ricci em "Igual a Tudo na Vida". Fiz a mesma coisa com a Scarlett em "Match Point". Refiz três vezes a cena em que a Scarlett encontra o Jonathan Rhys-Meyers na mesa de pingue-pongue. (É o primeiro momento em que o público a vê, e a tomada determina de imediato a beleza e a perigosa sexualidade dela, que são centrais na história.) Mudei o cabelo dela, mudei a roupa, mudei o jeito de filmar, eu e o câmera conversamos a respeito. Mas para mim era muito importante apresentar a visão dela do jeito como eu sentia aquela personagem. Então, eu me empenho muito nisso, sim. Claro que às vezes não é preciso, mas outras vezes é importante para o filme que um dos personagens crie impacto. Às vezes, a eficiência da personagem feminina não precisa ser tão dominante, mas, nesses dois filmes, entre outros, a atriz principal precisava ser muito eficaz desde o início. Era preciso mostrar por que o Jason Biggs ficava tão obcecado pela Christina e tão ligado a ela, e agüentava as aventuras dela, e convivia com aquela mãe maluca, e suportava ser enganado o tempo todo. Achei que a Christina tinha uma espécie de traço sexy, bonita, impositiva, que conseguiria fazer com que um sujeito se amarrasse nela. E a mesma coisa com a Scarlett. Mas em "Scoop" ela faz uma seminerd. Não me empenhei nem um pouco em fazer com que ela ficasse sexy. Só tive o cuidado de fazer com que parecesse uma garota de faculdade potencialmente atraente. (2005)


FILMAGENS, SETS, LOCAÇÕES

Existem coisas que você faz só para se divertir?

Tem um certo tipo de tomada que fazemos em todos os filmes. Pessoas andando na rua, na direção da câmera, aí elas chegam perto e a câmera começa a subir na dolly (puxada para trás por um membro da equipe). Essa é uma. Outra é com as pessoas andando na calçada, e a câmera está na calçada oposta, paralelamente. Certos clichês eu venho usando ao longo dos anos.

Algum novo?

Bom, nos últimos anos - sempre fiz planos-seqüência - desenvolvi planos-seqüência realmente longos. Não falo daquele tipo de tour de force que os caras fazem com uma Steadicam e que não acabam nunca. Falo da cena em "Igual a Tudo na Vida", com o Jason e a Christina na casa, junto com a Stockard Channing, em que as pessoas entram e saem de campo e as combinações são complicadas. O Jason entra no banheiro e some; a Christina entra e sai de campo; depois o Jason, depois a Stockard; depois o Jason volta; depois não se vê ninguém, porque o Jason está atrás de uma coluna. Passei a coreografar bastante assim nos últimos anos, porque é gostoso e me poupa de fazer coberturas (closes e tomadas de relação; a cena fica completa numa única tomada). Ensaio com o diretor de fotografia a manhã inteira, faço a iluminação complicada e aí paramos para almoçar, voltamos e fazemos a cena, eliminamos sete páginas em cinco minutos. (2005)


DIREÇÃO

Fazer a cena ficar bonita é um dos seus problemas, mas quais são suas outras preocupações?

Fundir bons desempenhos com uma boa história exige grande habilidade. Enorme refinamento. Mas não tem nenhum mistério do ponto de vista técnico. Milhões de pessoas que foram ao cinema a vida inteira poderiam fazer um filme. Tecnicamente, elas são maravilhosas, podem dirigir muito melhor do que eu. Fazem tudo sair lindamente; a fotografia é ótima, os filmes delas são lindos. Mas o que falta a elas, como a muitos diretores de comerciais de televisão que fazem filmes, é que não têm um senso dramático ou um senso de comédia. Por isso é que os filmes do Buñuel podem ser horríveis e ainda assim ser obras-primas, porque o que é absolutamente importante é o conteúdo. Qualquer pedaço de lixo que é lançado parece ótimo, porque o diretor pode sair e contratar um diretor de fotografia de primeira, e um editor de primeira, e todos sabem o que fazer. (1973)

MONTAGEM

Quando você assiste só aos pedacinhos, primeiro na moviola e agora na tela do computador, tem idéia de como vai ser, ou é difícil saber até ter juntado tudo e olhar o todo?

Quando estou montando (suspira) não faço a menor idéia de como vai ficar. Não. Você está juntando aquilo, é tudo muito auto-elogioso, confiante, seguro, otimista, e aí você vê o que inventou. (Ri, irônico.) E o seu coração pára. Está sempre comprido demais, sempre lento demais. Invariavelmente as coisas que você pensou que eram engraçadas não são muito engraçadas, e coisas que você achou que eram maravilhosas não são maravilhosas, as relações que você pensou que iriam em certa direção não vão. Sabe, tudo o que pode dar errado dá errado, e nada é tão bom quanto você esperava que fosse.

Este é um exemplo de quando você sente que a direção não está à altura?

Não. Não sinto que eu tenha dirigido mal. Sinto que montei bem. Nenhum diretor do mundo teria feito melhor com o material que escrevi. Quer dizer, sim, algumas cenas outros podiam ter feito melhor, e algumas cenas eu fiz do melhor jeito possível. Mas é o texto, quase sempre é o texto. É difícil escrever uma coisa entre uma hora e meia e duas horas de duração que seja interessante, nova, original, convincente e comovente. É aí que todo mundo desiste, e eu também, com certeza. (2005)


TRILHA SONORA

Quando está assistindo ao copião ou montando, vêm músicas à sua cabeça? Você anota?

Anoto o tempo inteiro - às vezes, quando começo a filmar no set, penso comigo mesmo: Essa cena vai ficar fantástica se eu usar música clássica, e não jazz. Ou, às vezes, durante a montagem, colocamos a música ao fazer a edição. Quer dizer, não passamos para a cena seguinte até colocar música na que está na máquina. Quando não se faz isso, geralmente é preciso fazer uma porção de retoques depois. Porque na edição de uma cena de perseguição, ou de uma cena de caminhada, ou de uma cena de carro, sem a música você deixa de um tamanho adequado ao silêncio. E aí, de repente, coloca-se uma coisa de Django Reinhardt ou Benny Goodman ao fundo e você pensa: Ah, devia ser três vezes mais longa. É muito decepcionante acabar aqui. Ou vice-versa. Mas também, às vezes, a gente pegou um embalo na montagem, e se não tenho uma música específica na cabeça não vou dizer: "Vamos parar meia hora e descobrir a música perfeita para esta cena". (2006)

A CARREIRA

Tudo bem. Última pergunta, pelo menos por enquanto. Faça uma avaliação de sua carreira até hoje.

Minha sensação objetiva é que não atingi nada significativo artisticamente. Não digo isso com tristeza, apenas descrevo o que sinto como verdade. Sinto que não dei nenhuma real contribuição ao cinema. Em comparação com contemporâneos como o Scorsese, o Coppola ou o Spielberg, realmente não influenciei ninguém de forma significativa. Quer dizer, muitos dos meus contemporâneos influenciaram jovens diretores. O Stanley Kubrick é um exemplo primordial. Eu não sou nenhum tipo de influência. Por isso é que sempre me pareceu estranho que prestassem tanta atenção em mim ao longo dos anos. Nunca tive um grande público, nunca fiz muito dinheiro, nunca tratei de temas controvertidos nem prestei atenção nenhuma na moda. Os meus filmes não estimularam a opinião do país em temas sociais, políticos ou intelectuais. São filmes modestos, feitos com orçamentos modestos, que produzem lucros extremamente modestos e não abalam de forma alguma o mundo do show business. Não tem jovens diretores correndo para me imitar e fazer filmes do jeito que eu faço. Nunca tive domínio técnico suficiente, ou suficiente profundidade de idéias para fazer ninguém pensar. Sou um piadista do Brooklyn que teve muita sorte. Acho que sou um pouco - sem o gênio especial que ele tinha - como Thelonious Monk no jazz, que era uma coisa à parte. Ninguém realmente tocava como o Thelonious Monk, nem quer tocar, mas, como eu disse, ele tinha gênio, e eu tenho apenas um talento para divertir. (A filosofia artística de Woody também é igual à de Monk, que disse: "Não toque o que o público quer. Toque o que você quer e deixe o público chegar lá".) E eu não sou uma pessoa modesta demais. Quando sou bom, sei apreciar a mim mesmo. Não sou triste, nem confessadamente masoquista a esse respeito, mas sou inteligente o bastante para saber que explorei ao máximo meus dotes limitados, ganhei um bom dinheiro em comparação com o meu pai e, o mais importante, de longe preservei minha saúde. Quando eu era menino, sempre corria para o cinema em busca de um escape - às vezes, doze ou catorze filmes por semana. E, adulto, consegui viver a minha vida de forma um tanto autocomplacente. Consigo fazer os filmes que quero, e então, durante um ano, posso viver naquele mundo irreal de mulheres bonitas e homens interessantes, situações dramáticas, figurinos, cenários e realidade manipulada. Sem falar em toda a maravilhosa música e em todos os lugares aonde me levou. (Ri.) Ah, e às vezes eu consigo sair com uma das atrizes. O que poderia ser melhor? Escapei para uma vida no cinema do outro lado da câmera, mais que para o lado da platéia. (Faz uma pausa.) É irônico eu fazer filmes e escapistas, mas não é o público que escapa - sou eu. (2005/2006)

Matéria editada e ilustrada pelo Nuvem .

terça-feira, 22 de abril de 2008

Aviso aos navegantes

Este blog está em obras. Pode ser que depois da reforma, ele passe a funcionar como uma página séria, ou seja, posts diários, links atualizados, notícias de hora em hora, tudo o que um blog de verdade costuma ter. Até lá, pode haver um certo tumulto por aqui. Portanto, mil desculpas pela poeira, pelos posts mal acabados e pelo barulho do martelo. Se a idéia vingar, qualquer hora dessas estaremos voando regularmente pelos infinitos caminhos da blogosfera.

sábado, 8 de março de 2008

O novo garoto-propaganda da Louis Vuitton


Keith Richards clicado pela mestre Annie Leibovitz

Através da Folha Online, fiquei sabendo que o guitarrista dos Stones, depois de posar para as fotos da campanha em um quarto de hotel, doou o seu cachê para a associação "The Climate Project", promovida pelo Prêmio Nobel Al Gore. Os anúncios da Louis Vuitton - que já foram estrelados, entre outros, pelo ex-presidente da antiga União Soviética Mikhail Gorbachev e pela atriz francesa Catherine Deneuve - começam a ser veiculados no próximo mês de abril.

E por falar em Keith Richards...


Vejam só que maravilha de caricatura do Baptistão!

sexta-feira, 7 de março de 2008

Björk grita 'Tibete' na China


Foto AFP

Do Portal G1

Depois de a cantora Björk ter provocado irritação na Sérvia ao dedicar a música "Declare independence" a Kosovo, a islandesa voltou a ferir sensibilidades nacionalistas ao gritar "Tibete, Tibete" ao final da mesma canção durante uma performance em Xangai (China).

O Ministério da Cultura chinês disse que a manifestação de Björk "desrespeitou as leis do país e feriu os sentimentos dos chineses".

O Governo da China considera o Tibete parte do país há oito séculos, em virtude de uniões dinásticas, e afirma que o regime comunista levou prosperidade à região. O Tibete era um Estado religioso independente até o final da década de 50, quando as forças de Mao Tsé-Tung invadiram e anexaram a região à China.

No final de fevereiro, Björk teve cancelada sua apresentação na cidade de Novi Sad, na Sérvia, marcada para julho, depois de um show em Tóquio.

A cantora islandesa tem feito homenagens com a faixa "Declare independence", do último disco "Volta", em diferentes países de sua turnê. Na Dinamarca, a homenagem foi feita para a Groelândia e as Ilhas Faroe (territórios ultramarinos dinamarqueses) e ao País Basco em seu show na Espanha.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Vida de Paul Potts vai virar filme



Quando, no ano passado, morreu o insuperável Luciano Pavarotti, eu procurei no You Tube um vídeo dele para postar aqui no Nuvem. Entre diversas apresentações da ária "Nessun Dorma", encontrei uma que fazia referência a um certo Paul Potts, de quem nunca ouvira falar. Por curiosidade, resolvi assistir ao vídeo. E fiquei bobo, imóvel diante do monitor, enquanto sentia - muito provavelmente - a maior emoção da minha vida de internauta.

Era um concurso de talentos, numa televisão britânica, com três jurados avaliando os candidatos. De repente, entra um cara meio gordinho, meio deselegante, meio apalermado e com um sorriso que denunciava a ausência de um dos dentes da frente. Um jurado quis saber o que ele fazia na vida e ele respondeu que era vendedor. Outro perguntou o que o tinha levado ali e ele disse que sonhava ser um cantor de ópera.

Aparentemente, nada mais improvável. E assim, já imaginando o vexame que ia acontecer no palco, os jurados pediram a Paul que cantasse. O que acontece no minuto seguinte é difícil descrever com palavras, por isso o vídeo aí em cima que, certamente, vocês já viram. Quando vi a primeira vez, o primeiro impulso foi trazê-lo para cá, mas a homenagem, na época, era ao grande Pavarotti e achei melhor não misturar as coisas.

Agora, visitando a Rosana Hermann, fiquei sabendo que a vida de Paul Potts vai virar filme. A notícia original está no jornal português Diário de Notícias, que informa que o gajo, depois de vencer o concurso "Britain's Got Talent", assinou um contrato de um milhão de libras com uma editora musical inglesa. Além disso, gravou um CD - "One chance" - que já vendeu três milhões de cópias no mundo inteiro.

Taí o motivo que eu precisava para postar o vídeo que deu origem a toda essa história. Quem ainda não viu, prepare-se para viver uma grande emoção. Para os que já viram, vale a pena ver de novo. Agora e sempre.

E taí o cara!

Foto Agência Estado

quarta-feira, 5 de março de 2008

Hoje e amanhã em Sampa



Quando: 5 e 6 de março, às 22 horas
Onde: Via Funchal - rua Funchal, 65, Vila Olímpia
Quanto: de R$ 400 a R$ 900
Informações: (11) 3044-2727

terça-feira, 4 de março de 2008

Show de tecnologia e de imagens na Cebit


























Fotos das agências Reuters e EFE

Do UOL Tecnologia (direto de Hannover)

Começou hoje em Hannover, Alemanha, a Cebit 2008, maior feira de tecnologia do mundo. Estão presentes 5.845 expositores de 77 países, sendo a China o país estrangeiro com maior número de expositores (500). O país parceiro deste ano é a França, que conta com 150 estandes. O Brasil tem 17 representantes na feira, entre eles, Itautec, Mercosur, Softsul e Quality Software.

Celulares multifuncionais

Uma das atrações da feira são os celulares verdadeiramente multifuncionais, recheados de recursos, como câmera de alta resolução, browser e novas tecnologias de navegação, localizador por GPS, player de música, grande memória interna e suporte à tecnologia Super 3G, que permite links de até 80 Mbps para dentro da rede, e de 300 Mbps para fora da rede celular.

Tecnologia verde

A feira este ano também mostra a tendência "verde" do mundo high tech. Haverá uma área voltada para a Green IT (Tecnologia da Informação "verde"), com equipamentos e palestras sobre inovações que podem contribuir para a preservação do ambiente.

Promessas

As telas Oled devem substituir gradativamente as de LCD, por serem mais finas, mais fáceis de enxergar sob o sol e por consumirem menos energia. E, como não poderia deixar de ser, com forte tendência a ficarem sensíveis ao toque.

Portáteis poderosos

A portabilidade estará em alta, e não só nos celulares — os corredores da feira já estão repletos de computadores portáteis, equipamentos de áudio e vídeo, além de celulares e PDAs. Assim como conexões sem-fio ultra-rápidas, como o padrão Wireless USB, que transfere arquivos a 480Mb/s a uma distância de 3 metros.

Vedetes

Também estão presentes nos corredores da feira supercomputadores, estações de trabalho portáteis, PDAs ultramodernos, câmeras fotográficas, equipamentos para carros, TVs flat, reprodutores e gravadores em alta definição. A IPTV, com transmissão direta de imagem e som via Internet, deve ser uma das vedetes do evento.

Matéria editada pelo Nuvem de Chumbo.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Ele vem aí



Descontrole remoto

Crônica de Nelson Motta, via e-mail

O melhor e mais eficiente meio de controle de uma TV pública é o acesso permanente do público aos seus dados de audiência. Quantas pessoas estavam assistindo qual programa, em que cidades e bairros, a que classes socioeconômicas pertencem. Não basta o controle das despesas e investimentos, da neutralidade e independência da informação, é fundamental a cobrança dos resultados da aplicação do dinheiro público: num meio de comunicação de massa, o resultado é a audiência qualificada. Mas ninguém fala disso, é como se fosse um segredo de Estado.

Se, para as emissoras comerciais, os índices de audiência valem dinheiro, para as TVs públicas valem mais: significam que ela está cumprindo a sua finalidade de fazer uma boa programação para o público que paga a conta.

Em emissoras comerciais, programas que dão traço, zero de audiência, que literalmente ninguém vê, saem do ar, por inúteis. Por que continuam em TVs públicas e estatais? Nem falo de audiências micro ou mínimas, de ínfimas minorias de espectadores, em um universo de 180 milhões de cidadãos, mas do zero absoluto, que significa a rejeição total dos espectadores àquele programa. E há inúmeros nessas condições. Para quê? Por quê?

O patrocinador de uma TV pública é... o público, com o dinheiro de seus impostos. Se os contribuintes não estão vendo o que a sua TV está lhes oferecendo, o problema não é deles, é da TV.

Só não dá para proibir as outras emissoras de fazer programas melhores. Ou obrigar o público a ver o que não quer por decreto ou medida provisória. Antes de qualquer discussão honesta é preciso saber quantos estão vendo o quê. E quantos não estão vendo, e por quê. Encarar a realidade para tentar mudá-la, com trabalho e competência.

domingo, 2 de março de 2008

Masters do rock na estrada


Bob Dylan e banda na Cidade do México, terça-feira passada


Bruce Springsteen na turnê 'Magic' em Connecticut (EUA), quinta-feira passada


Steve Winwood e Eric Clapton juntos em Nova York, segunda-feira passada


Neil Young em Berlim, terça-feira passada

Fotos das agências EFE e AP publicadas no UOL Música.

O mestre está vivo








Do Blog dos Quadrinhos

Há alguns temas freqüentes e autobiográficos na produção de Will Eisner (1917-2005): a caça aos judeus, a vida dura nos cortiços, a depressão norte-americana da década de 1930, a luta pela sobrevivência. Todos esses elementos estão presentes em "A Força da Vida", álbum inédito dele, lançado este mês no Brasil (Editora Devir, R$ 38,00, 152 págs.).

A obra traz pequenos contos passados na primeira metade dos anos 1930 (principalmente 1934), no período seguinte à queda da Bolsa de Nova York. A falta de emprego e de oportunidades de ascensão social é vista pelo olhar de um grupo de moradores da Avenida Dropsie, no Bronx, onde o próprio Eisner cresceu.

Ele mesmo faz uma "ponta" na figura do desenhista Willie, que se vê dividido entre respeitar a tradição judia da família ou abraçar o ideal comunista. Aos poucos, as tramas curtas vão se entrelaçando e construindo uma narrativa maior, única, que se casa com a proposta lida no nome do álbum.

Há uma espécie de hipótese elaborada por Eisner no início e no fim do álbum (que o autor prefere chamar de graphic novel): o que motiva um ser humano a viver? Cada história individual é uma resposta particular a essa questão, que adquire uma dimensão maior quando vista durante a depressão norte-americana de então.

Apesar de ter elementos temáticos comuns a outras obras, "A Força da Vida" se diferencia dos demais trabalhos num ponto: trata-se de uma história otimista sobre a vida e sobre as dificuldades em conviver com as armadilhas dela.

O álbum - programado inicialmente para o fim de 2007 - faz parte de uma trilogia de histórias de Eisner sobre a Avenida Dropsie. Os outros trabalhos são "Avenida Dropsie" e "Um Contrato com Deus & Outras Histórias de Cortiço", ambos lançados pela Devir). São produções de um momento mais autoral de Eisner, que, na década de 1940, produziu histórias do herói mascarado "Spirit".

sábado, 1 de março de 2008

Um fim de semana em Hollywood


Depois de pisar em estrelas distraída...


você pode se esbaldar na Amoeba Records...


uma das maiores lojas de CDs e DVDs do planeta...


que tem paredes forradas com cartazes de shows históricos


Na hora do almoço, a insuperável comida tailandesa do Bulan Thai Vegetarian


Mais tarde, assista um bom filme no melhor cinema da capital do cinema...


o incrível ArcLight Cinema, que também tem bar e restaurante

Fotos publicadas no caderno 'Travel' do New York Times

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Plágio no New York Times


Semana passada, vi uma matéria no Portal G1 que falava do aumento do consumo de crack na Argentina e no Brasil. O texto original havia sido publicado no New York Times, sob a assinatura de seu correspondente no Brasil, Alexei Barrionuevo. Quase postei parte da longa matéria aqui no RA, mas depois - nem me lembro porquê - desisti.

Muito bem. Hoje, dando uma olhada no blog do Sérgio Dávila, fiquei sabendo que essa matéria do crack (na verdade, do "paco", uma versão mais potente do crack) foi "inspirada" em quatro outros trabalhos, dedicados ao mesmíssimo tema e publicados, em 2006 e 2007, no Christian Science Monitor, no Miami Herald, no Los Angeles Times e na BBC News.

Pesquisando nas fontes citadas pelo Sérgio, descobri que além de se inspirar nas matérias publicadas, Barrionuevo ainda copiou dois parágrafos inteiros do texto original do Miami Herald sem citar a fonte. Pior: atribuiu uma frase dita por Jim Hall - diretor da "Up Front Drug Information Center", de Miami - à oficiais brasileiros e argentinos. As frases - a original e a plagiada - são as seguintes:

"O Paco é ainda mais tóxico do que o crack porque ele é feito, principalmente, de solventes e químicos, com uma pequena quantidade de cocaína, diz Jim Hall, diretor-executivo do Up Front..."

"O Paco é ainda mais tóxico do que o crack porque ele é feito, principalmente, de solventes e químicos, com uma pequena quantidade de cocaína, dizem os oficiais brasileiros e argentinos."

Hoje em dia, com as facilidades da internet, quase todos os que trabalham com texto cometem o pecado do plágio, pinçando uma idéia ali, outra aqui, enquanto escrevem uma matéria ou mesmo um livro. O crime, no entanto, só passa a existir quando são copiados trechos inteiros de outros autores sem que os mesmos sejam citados. Ao fazer isso e publicar no jornal mais importante do mundo, Barrionuevo desceu ao nível mais baixo do jornalismo, o que deve lhe render, no mínimo, uma boa espinafração do seu editor.

Mas como os correspondentes do New York Times no Brasil já têm um histórico de lambanças - lembram-se do terrível Larry Rohter, que escreveu uma matéria sobre as supostas bebedeiras do Lula e quase foi expulso do país? - , é possível que tudo acabe numa bela pizza made in USA. De qualquer forma, é bom ficar de olho em Alexei Barrionuevo. Esse cara promete!

Cenas recriadas de Hitchcock